A Mansidão

A MANSIDÃOGl 5.22,23“Mas o fruto do espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”. “Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra”.Mateus 5.5 A mansidão trata do meu relacionamento com outras pessoas. Fala da maneira como trato essas pessoas, como elas me vêem e como eu reajo diante delas. Ser manso não significa ser uma pessoa fraca e nem uma pessoa que tem um semblante triste. Ser manso é ser como Jesus. Ele disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29).Mansidão é uma qualidade espiritual produzida na pessoa cuja vida está submissa a atuação do Espírito Santo. O profeta Zacarias escreveu: “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).A mansidão é o ponto de equilíbrio entre dois extremos: de um lado, excessivamente zangado e do outro lado excessivamente bondoso. Paulo escreveu ao jovem pastor Timóteo: “Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim, deve ser brando (manso) para com todos, apto para instruir, paciente, discipulando com mansidão os que se opõem...” (II Tm 2.24-25).A pessoa mansa se destaca na sociedade porque esta qualidade quase nunca é demonstrada. O mundo diz que devemos nos afirmar e defender nossos direitos, mas alguém com esta qualidade não exige a sua própria vontade e nem os seus próprios direitos. A pessoa mansa está disposta a entregar o seu caso a Deus, que julga retamente. Paulo aconselha: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fl 2.3-4).Podemos notar este espírito de mansidão nos grandes homens da Bíblia. Abraão deu a seu sobrinho Ló o direito de escolha, quando ele mesmo poderia ter escolhido as Campinas do Jordão. Isaque não brigou por causa dos poços que lhe foram tomados pelos pastores de Gerar. Davi, mesmo sendo ungido rei de Israel abriu mão de sua posição sendo perseguido por Saul. Moisés agüentou o povo murmurando durante quarenta anos na peregrinação do deserto.Você estaria disposto a submeter sua vontade à obra do Espírito Santo para que Ele desenvolva esta qualidade indispensável em sua vida? O preço será alto em termos de orgulho, poder e possessões, mas vale a pena sermos como Jesus: “Manso e humilde de coração”.Bem Aventurados os Mansos Entre todas as virtudes, parece que Jesus quis destacar duas: mansidão e humildade. Ele fez questão de dizer que devemos tomar o seu jugo e receber a sua doutrina ´porque eu sou manso e humilde de coração´ (Mt 11.29). Na verdade são duas virtudes inseparáveis. Já falamos da humildade, meditemos um pouco sobre a mansidão. Ela está entre as bem-aventuranças: ´Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra´ (Mt 5.4). O Salmista diz que: ´os pobres vão possuir a terra e deitar-se com paz abundante´ (Sl 36.11). O manso possui a paz porque, firme em Deus, nunca se perturba. A humilde mansidão é a virtude das virtudes que Deus tanto nos recomendou. E ensinava uma regra de ouro: ´Quando vedes alguma coisa que se pode fazer com amor, fazei-o; o que não se pode fazer sem discussões, deixai-o´. Ser manso é ser delicado com todos, é ser atencioso, compreensivo, não levantar a voz. Especialmente é preciso ser manso com os pobres, os fracos, os doentes, aqueles que por causa de sua posição de inferioridade na sociedade, são tratados com desprezo e sem atenção. Muitas vezes somos indelicados, grossos, estúpidos, com os outros, porque não nos colocamos no seu lugar. Somos apressados em julgá-los. Mansidão não é sinônimo de fraqueza ou de covardia. Ao contrário, é uma virtude divina. Deus, sendo Todo-poderoso é manso. ´Meu espírito é mais doce do que mel´ (Eclo. 24.27). A mansidão está estreitamente ligada com a fortaleza. Só os fortes em Deus podem exercê-la; o seu princípio consiste em ´vencer o mal pelo bem´, como disse Paulo aos romanos: ´Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens´ (Rom 12.17). E o Apóstolo ensina a deixar a justiça por conta de Deus, e jamais fazê-la com as próprias mãos. ´Não vos vingueis uns dos outros caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: ´A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor´ (Deut 32.35; Rom 12.19)´. Procedendo assim, diz Paulo, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça´ (Prov 25.21); o que significa que o coração duro daquele que é mau, se converte para o bem quando lhe pagamos o bem em troca do mal recebido. O próprio Paulo experimentou isso na sua vida. Ele segurava os mantos daqueles que apedrejavam Estevão, que, recebendo o martírio, como Jesus, orava pelos seus executores. ´Senhor, não lhes leves em conta este pecado ...´ (At 7.60). E Saulo ´que havia aprovado a morte de Estevão´, converteu-se maravilhosamente em seguida, por esses ´carvões em brasa´ que foram amontoados sobre a sua cabeça pela atitude de Estevão. O maior exemplo de mansidão nos foi dado por Jesus. Ele a ensinou e a viveu radicalmente. No Sermão da Montanha ele ensinou: ´Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu porém, vos digo: não resistais ao homem mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra´ (Mt 6,38s). Essa é a verdadeira mansidão cristã, que não aceita o revide, não aceita pagar o mal com o mal. Não se apaga fogo com gasolina; não se aplaca a violência com mais violência. Só com a resposta não violenta pode-se quebrar a cadeia perniciosa da violência. Jesus levou esse ensinamento a fundo, até ao ponto de ensinar: ´Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem´ (Mt 6.43-44). E Jesus acrescenta que essa atitude nos torna ´filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e injustos´ (45). E afirma que assim seremos perfeitos como o Pai celeste (46). Jesus ensina que na mansidão reside a perfeição cristã. Isto é muito importante para quem deseja trilhar o caminho da santidade. O mais bonito de tudo é que Jesus viveu essa mansidão perfeitamente. O profeta Isaias, cinco séculos antes, já havia anunciado a mansidão do Cordeiro de Deus: ´Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca´ (Is 53.7). E o profeta acrescenta que assim: ´O justo, meu Servo, justificará muitos homens e tomará sobre si suas iniqüidade´(11). Foi pela humildade e mansidão que Jesus nos salvou. Ao sofrer toda a sua paixão silenciosamente, ao ser preso como um marginal, flagelado até ao sangue como um malfeitor, zombado como um farsante, coroado de espinhos como um falso rei, condenado à morte como um criminoso, esbofeteado como um blasfemador, escarrado, pregado na cruz, e tudo mais, com a mansidão de um cordeiro, Ele conquistou os méritos infinitos que nos redimiu de todos os nossos pecados. Quando agimos com a mesma humildade e mansidão do Senhor, conformamos a nossa vida com a dele e completamos na nossa carne o que falta à sua paixão (Col 1.24). Aí, então, somos, de fato, seus discípulos. Do alto da cruz Jesus pagava o mal com o bem: ´Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem´ (Lc 23.34). Em conseqüência dessa atitude do Senhor, já ali, aos pés da cruz, o centurião romano que chefiava a sua crucificação se converte: ´Vendo o centurião o que aconteceu, deu glória a Deus e disse: ´Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus! ´ (Mt 27.54; Lc 23.47) Muitos se converteram porque foram perdoados e receberam o bem em troca do mal que praticaram. . Paulo chama de ´amontoar carvões em brasa´ sobre a cabeça daquele que vive mal, e mostra a forma cristã de vencer o mal; pelo bem. Assim, e só assim, quebra-se a corrente da violência e a atira-se ao chão. Para praticarmos essa bela virtude é preciso estarmos convencidos de sua beleza, eficácia e poder, pois o mundo nos ensina o contrário: ´bateu, levou!´ Jesus ensina o oposto: ´bateu, dê-lhe a outra face!´ É certo, como dois mais dois são quatro, que o agressor ficará desconcertado e envergonhado do seu gesto. Senão na hora, depois, quando esfriar o seu sangue. As brasas do amor foram acumuladas sobre a sua cabeça... Estou convencido de que esta é a maior prova para o cristão: ´pagar o mal com o bem, amar o inimigo, orar pelo que te persegue...´. Não é fácil perdoar e orar pela mulher que levou o seu marido; pelo rapaz que assassinou o filho; pelo ladrão que roubou o seu carro; pelo sujeito que te humilhou em público, etc,etc,etc... Não é fácil ! A natureza reage, esperneia, quer vingar-se, quer o revide, quer beber o sangue do outro... Só pela graça de Deus é possível. Quando olho para Jesus crucificado, a lição mais forte que aprendo é essa: ´Eu que sou Deus, morri crucificado, perdoando os meus algozes. Faças o mesmo se queres ser cristão´. Não há mérito maior diante de Deus. Que o Teu preciossíssimo Sangue caia sobre nós Senhor, e nos conceda essa graça. A mansidão deve ser vivida em pensamentos, palavras e atos. No trato com as pessoas é preciso ser cordial, bem humorado, ter o sorriso nos lábios e ser paciente com os defeitos dos outros, principalmente quando esses nos irritam. Se Jesus sofreu tanto, sem perder a calma e a paz, porque não podemos aceitar os pequenos defeitos dos outros? Para os superiores, não há melhor meio de se fazer obedecer do que a mansidão´. É preciso evitarmos o mal hábito que às vezes temos de repreender os outros com aspereza, com raiva e nervosismo, pois isto faz mais mal do que bem a quem queremos corrigir. Muitos pais enganam-se muito neste ponto e corrigem os filhos com agressividade, por palavras e atos. É um mal. Paulo diz aos pais: ´Não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor´ (Ef 6.4). Não exasperar o filho, é não deixá-lo com raiva de nós, pais. É preciso saber corrigir os filhos, com paciência, bondade e mansidão, na hora oportuna e sem humilhar o filho na frente dos outros, principalmente dos seus amigos. Não devemos também corrigir uma pessoa quando ela estiver irritada, pois ela ficaria ainda mais exasperada, ao invés de fazê-la mudar o seu comportamento. Espere a pessoa se acalmar. Jesus foi manso e bondoso com os pecadores: Com a samaritana no poço de Jacó, com Zaqueu, com Madalena, com Pedro após negá-lo três vezes, e até com Judas no horto das Oliveiras. Judas, é com um beijo que me trais? Com um beijo trais o Filho do Homem?´ (Lc 22.48). Para Pedro foi um olhar de bondade: ´O Senhor voltou-se e olhou para Pedro´ (Lc 22.48-61). Esse olhar de bondade de Jesus fez correr as lágrimas de arrependimento dos seus olhos. A afabilidade, o amor e a humildade tem uma força maravilhosa para ganhar os corações dos homens e levá-los a abraçar as coisas mais desagradáveis à natureza humana´. O espírito infernal se serve do rigor de alguns para causar maior dano às almas.. Diz o livro dos Provérbios que: Uma resposta branda aplaca o furor, uma palavra dura excita a cólera (Pr 15.1). É preciso saber calar quando estamos com o sangue fervendo nas veias. Uma coisa é certa: só dizemos coisas erradas quando estamos inflamados pela paixão. Depois ficamos com vergonha de nossas palavras e atitudes destemperadas. Saber calar na hora do aborrecimento e da irritação é grande sabedoria e mansidão. Nunca me deixei conduzir pela ira sem que logo me tenha arrependido. É preciso também ser manso consigo mesmo. Não se irritar com as próprias faltas. Irritar-se contra nós mesmos, após uma falta, não é humildade, mas refinada soberba, como se nós não fossemos fracos e miseráveis criaturas. A humildade que irrita não vem de Deus, mas do demônio. O grande perigo, de zangar-se contra si mesmo após uma falta, está no fato de deixar a alma perturbada e, nesse estado deixa-se a oração, a comunhão e as demais práticas da piedade, ou então as fazemos mal. Uma alma perturbada pouco conhece a Deus e aquilo que deve fazer. Após uma falta é preciso voltar-se com humildade e confiança para Deus, e dizer: ´Senhor, estas são as ervas daninhas do meu jardim´. Os soberbos nunca vos agradaram, mas sempre vos foram aceitas as preces dos mansos e humildes (Jd 9.16). Ninguém e nada rouba a paz de quem tem o coração manso e humilde, e é neste sentido que eles ´possuirão a terra´ (Mt 5.4). Os Cristãos ao invés de odiarem aqueles que os maltratavam, os amavam ainda mais, e oravam por eles, porque sentiam pena deles. As pessoas que falam mal de mim, parece que eu as amo com mais amor. Uma coisa é certa afirmam os Cristãos: só possui a mansidão quem cultiva a humildade, e tem pouco conceito de si mesmo. É preciso, por exemplo, saber receber as correções que os outros nos fazem, com mansidão e sem revolta. É um grande sinal de progresso na perfeição. É muito difícil encontrar alguém que, ao ser corrigido, não fique se desculpando e se defendendo. É um ótimo exercício de humildade e mansidão calar-se ao ser corrigido por alguém, mesmo tendo-se certa razão. O fato de ficarmos ofendidos quando somos criticados é sinal forte de que precisamos dessa crítica. ´Aquele que odeia a correção segue os passos do pecador´ (Cleofas) Colaboração para o Portal EscolaDominical: Pr Walter Pacheco da Silveira
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Um comentário:

paulo cesar dos santos santos disse...

Muito bom estudo que DEUS os bençoe pastor que o senhor Jesus continua ti abençoando e capacitando sempre

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