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Guia para um avivamento pessoal

B. Condred Pirkle Série folhetos de poder
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno. Salmo 139:23,24Avivamento pessoal é o resultado da obra do Espírito Santo no coração do crente, avivando, vitalizando e dando-lhe energias. Isto somente pode acontecer quando as ferramentas do Espírito Santo, as quais Deus divinamente ordenou que fossem usadas por Ele, entram em contato com o coração humano. E as Escrituras são o instrumento divinamente determinado a ser usado pelo Espírito Santo para produzir a convicção de pecado, contrição de coração, confissão de pecado, entrega e consagração da vida e conseqüente controle do Espírito Santo. Muitos corações estão famintos por uma comunhão mais íntima com Cristo, maior poder na vida e serviço, e frutos abundantes para a glória de Deus.Amigo, se este é o teu desejo, anima-te, pois o Espírito Santo foi enviado para tomar a palavra de Deus e usá-la para te aproximar dEle de uma maneira viva, ousada, ainda que humilhante. Deus espera que tu obedeças e te submetas à Palavra e ao Espírito de Cristo.Este guia é simples e seleto, tendo em vista a busca deste alvo:AVIVAMENTO PESSOAL! I. Com lápis e papel na mão, lê as seguintes passagens, a sós num lugar sossegado, de uma boa e moderna tradução, se for possível.As Escrituras levam à convicção de pecado. Lê devagar e sinceramente permitindo que o Espírito Santo aponte os teus pecados. Anote-os.Êxodo 20:1-17; Salmo 119:9-11; (Negligência da Palavra); Jr 17:9-10; Malaquias 3:10; Mat. 5:27,28; 6:33; 7:1-5; 6:33; 7:1-5; 23:23-28; Marcos 7:20-23; Rom 1:18-32; Gál. 5:19-21; Ef 5:3-7; Col. 3:5-9; II Tm. 3:2-5; Tito 3:1-3; Tiago 3:6-10; I João 2:15-17. Agora, tendo lido estas passagens, que nos descobrem nossos corações, tens ainda outros pecados, tais como faltas, falhas, atitudes erradas e formas de egoísmo, que sem dúvida vieram-te ao pensamento. Escreve-os ao lado dos outros. Sê honesto para contigo mesmo e para com Deus, pois, do contrário, estarás permitindo que este primeiro empecilho permaneça entre ti e Deus, mantendo-te longe de um avivamento pessoal. Continua anotando tudo de que te lembrares e que possa desagradar ao Senhor, até que nada mais te venha ao pensamento. É necessário que anotes todos os teus pecados e falhas, pois, do contrário, o espírito e o coração te enganarão, desculpando algumas das tuas maldades.II. As Escrituras levam à contrição de coração. Deixa que o Espírito Santo quebrante e derreta o teu coração diante da cruz do nosso Salvador crucificado, esmagado e morto pelos teus pecados e por causa deles.Salmo 51:17; Isaías 57:15; 66:1,2; Salmo 22:14-18; Isaías 53:1-12; Lucas 23:32-49; I Pedro 2:24; II Pedro 2:21,22.III. As Escrituras levam à confissão de pecado.Salmo 66:18; Provérbios 28:13; Isaías 59:1,2; 1:16-20; Salmo 51:1-17; Mat. 5:23,24; Marcos 11:25-26; Tiago 5:16; I João 1:7,9. O cristão tem de confessar seus pecados um a um. Por isso, toma a tua lista, confessa e abandona cada pecado diante de Deus, confiando no sangue de Jesus que foi derramado para purificar-te desse pecado. Vai riscando-os um a um até que, sinceramente, estejas arrependido de cada um deles e de tudo o mais que o Espírito Santo tenha colocado diante de ti nesta altura. Lembra-te, entretanto, que pecados e maldades cometidos contra outras pessoas exigem restituição antes de poderes riscá-los. Às vezes, quando a vida e a influência de alguém prejudicou a igreja, deve-se pedir perdão à igreja. Mat. 18:15-17; I Cor 5:1-5. O Espírito de Cristo conduzir-te-á. E, então, quando tudo entre ti e o Senhor tiver sido removido, a paz da purificação e perdão encherá o teu coração. Agradece a Deus pelo perdão que recebeste mediante o derramamento do sangue de Cristo, "que no purifica de todo o pecado".IV. As Escrituras levam à entrega e consagração. Depois da confissão de pecados vem a entrega e a consagração. Neste ponto, se foste cuidadoso, sincero e honesto com o que ficou acima, estás pronto para apresentar um canal purificado ao Senhor para o Seu uso e glória. Lê com o coração e a vontade submissos as seguintes passagens:Salmo 37:4,5; Prov 3:5,6; Marcos 12:30,31; Rom. 6:6,7,11-14,22; Rom 12:1,2; I Cor 10:31; Fil 4:8,9; Col. 3:1-4,12-17. Faze uma oração de entrega, entregando ao Senhor para a Sua glória, teu espírito, corpo, alma, tempo, talentos, propriedades, vontade, família, amigos, oportunidades, influência, e tudo o mais que tu és, tens ou guardas. Crê que Deus recebeu aquilo que tu Lhe entregaste e agradece-Lhe por isso.V. As Escrituras levam ao controle do Espírito Santo. Reconhece que o teu corpo pertence ao Espírito Santo, I Cor 6:19,20. Depois, reconhece que aquilo que é submetido a Deus, Ele enche e controla. Le Mat. 3:11; Lucas 24:49; Atos 1:5,8; Ef 5:18. Estas passagens te farão entender que Deus pretende que cada filho Seu seja batizado com o Espírito Santo. Não tenhas medo da bendita plenitude do Espírito de Deus, pois é teu direito de nascimento seres possuído por Ele. O Espírito de Cristo é o único que pode tornar Jesus real para ti e fazer-te viver a Vida e executar o ministério de Jesus por teu intermédio!Como crente já tens o Espírito de Deus vivendo em ti, mas deves te submeter a Ele e pedir essa bendita promessa do Pai. Aqui estão algumas passagens que vão ajudar-te na apropriação da promessa que Jesus te fez: João 7:37-39 (sede); Lucas 11:13 (busca); Atos 5:32 (submissão e obediência); Gál. 3:2,13,14 (aceitação pela fé). Pede, agora, ao Senhor entronizado que te batize com o Seu Espírito, porque já Lhe entregaste tudo, totalmente. Anda no Espírito, dia a dia. A Vida centralizada em Cristo, baseada na Bíblia, enaltecendo a Cristo, cheia do Espírito, glorificando a Deus, é tua para viver e trabalhar. "Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim". (Gál. 2:20)Deus quer te dar uma vida vitoriosa, abundante e frutífera. Isto é avivamento pessoal. Anota estas passagens: Rom 8:29-39; João 15:1-14; I Cor. 15:57; II Cor 2:14; I João 4:4; 5:4.Autor do estudo: B. Condred Pirkle, evangelista. Série folhetos de poder.

O PODER DA PACIÊNCIA

“O amor é paciente” (1 Co. 13.4).

Introdução Quando você se relaciona com as pessoas na busca de grandes, saudáveis e crescentes relacionamentos, a primeira coisa que você precisa é ser paciente. Como Deus sabia disso? Bem, Ele possui milhares de anos de experiência em lidar com as pessoas. Ele precisou ter paciência. A palavra no grego, literalmente significa: “levar muito tempo até ferver”. Falamos sobre uma pessoa que tem pavio curto; isto significa a necessidade de se Ter um pavio comprido. Esta palavra é usada na Bíblia exclusivamente para pessoas. Você precisa levar um longo tempo para ferver quando se relaciona com as pessoas.

O Amor é paciente. Significa que é amável ser paciente. É grosseiro ser impaciente. Quando sou paciente com minhas filhas, sou amável. Quando sou paciente com a minha esposa, sou amável. Quando sou impaciente, sou grosseiro.

POR QUE A PACIÊNCIA É TÃO VITAL NOS RELACIONAMENTOS?

Por que Deus começou falando de paciência, dentre muitas outras virtudes, quando deu as primeiras instruções sobre grandes relacionamentos? Qual é a sua importância?

Porque toda pessoa é diferente (1 Co. 12.6 diz) “Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos”. Ele diz que cada pessoa é original. Se você é pai de três filhas como eu, você sabe muito bem disso. É incrível como os seus filhos são diferentes uns dos outros. Da mesma família, filhos diferentes. Deus criou você com um molde especial.

Há cinco fatores que fazem você ser diferente de outras pessoas. Eles identificam como Deus moldou você:
Seus Dons Espirituais – As habilidades, as habilidades especiais que Deus lhe deu para servi-lo e estabelecer relações com Ele;
Seu Coração – Nós somos motivados de forma diferente. Temos interesses diversos. Coisas que motivam você não me motivam e vice-versa. Temos batimentos cardíacos diferentes;
Habilidades – Temos diferentes habilidades, talentos naturais, capacidades;
Personalidade – Todos nós temos personalidades diferentes. Diferentes percepções e valores. Pessoas tímidas e outras salientes, as que gostam de rotina e as que gostam de variar, as que são introvertidas e as que são extrovertidas;
Experiências - Todos temos diferentes origens, diferentes necessidades.
Todos nós somos diferentes. Porque somos diferentes, precisamos ser pacientes... Porque somos diferentes e nenhum de nós é igual, isso cria mal-entendido. Muitas vezes não conseguimos entender um ao outro. Não sabemos de onde as pessoas estão vindo.(1 Co. 2.11 diz) “...quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está?”. Circule “quem”. Ninguém pode entender seu cônjuge ou seu chefe. Você ouviu ou falou algumas das seguintes frases nesses últimos trinta dias?
Eu não entendo o jeito dele agir, porque ele faz coisas assim!
Ela não me entende!
Ele vive noutro mundo!
Ela não faz qualquer sentido.
Como você pode pensar essas coisas?
Meus pais são de outro planeta!
Por que preciso repetir 48 vezes a mesma coisa para você fazer certo?
Por que você não falou comigo?
Por que você fica tão sensível?
(I Ts. 5.14) diz: “Sejam pacientes para com todos”. Como posso ser paciente com todos? A razão de sermos impacientes com as pessoas vem de mal-entendidos e mal-entendidos de nossas falsas suposições.
Como eu faço isso? Deus manda. Ele não diz: “Eu sugiro que você seja paciente para com todos”. Ele diz: “Faça assim. Seja paciente com todos”. Deus nunca nos manda fazer algo sem nos mostrar como fazê-lo.
COMO SER MAIS PACIENTE COM AS PESSOAS?
1. Lembre-se o quanto Deus tem sido paciente com você. “Mas por isso mesmo alcancei misericórdia, para que em mim, o pior dos pecadores, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza da sua paciência, usando-me como um exemplo para aqueles que nele haveriam de crer para a vida eterna” (1 Tm. 1.16). “Aceitem-se uns aos outros, da mesma forma que Cristo os aceitou, a fim de que vocês glorifiquem a Deus” (Rm. 15.7).
2. Aprenda por ouvir. “A sabedoria do homem lhe dá paciência” (Pv. 19.11). “O homem paciente dá prova de grande entendimento” (Pv. 14.29).
Se você não procura entender as pessoas, não terá paciência com elas. Se você não entende as pessoas, não haverá relacionamento, porque relacionamentos são baseados em entendimento. Se eu não entender você e você não me entender, que tipo de relacionamento poderemos ter? Este é um ponto fundamental. Sem entendimento não há relacionamento. Entendimento é o alicerce para relacionamentos. Mal-entendidos destroem relacionamentos. Como ouvir as pessoas? A Bíblia diz: “Quem responde antes de ouvir comete insensatez e passa vergonha” (Pv. 18.13). Isto é bem claro! Não avalie o que as pessoas fazem ou o que você ouve até ouvir tudo. Deus nos deu dois ouvidos e uma boca – o que significa que você deve ouvir duas vezes mais do que falar. Qual tem sido seu índice de ouvir? Numa escala de 0 –10, que nota você se daria como ouvinte? A maioria de nós pensa que é bom ouvinte. Podemos escutar bem sem sermos bons ouvintes.
As pesquisas mostram que apenas 7% do que realmente você diz é comunicado em palavras. 43% do que você quer dizer se dá através do como você diz - tom de voz, emissão, volume, dicção. Os restantes 50% aparecem nas expressões não-verbais – expressão facial, gestos manuais, linguagem corporal. É por isso que quando você está telefonando você é apenas 50% efetivo. Você não pode ver o que a outra pessoa está comunicando através do corpo.
Isto significa que nossos olhos são tão importantes no ouvir como nossos ouvidos. Marido, sua esposa já lhe disse: “Por que você não olha para mim enquanto eu falo com você? Saia de trás desse jornal.” Ela acertou em cheio! Seus olhos são tão importantes quanto seus ouvidos na comunicação, porque apenas 7% da comunicação está em suas palavras. Você precisa aprender a ouvir.
3. Façam concessões com os outros. Todas as pessoas têm dias maus. De vez em quando ficamos desequilibrados, numa hora do dia, da semana, do mês. A Bíblia diz que devemos fazer concessões aos outros. “Sejam completamente humildes e dóceis, sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor” (Ef. 4.2). A Bíblia diz em Provérbios 12.16: “O homem prudente ignora o insulto”. Todos passamos dias ruins e ficamos um pouco desequilibrados.
4. Trate os outros do jeito que você quer ser tratado. Isso não é novidade. Esta é a Regra Áurea. “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam” (Mt. 7.12). Este único versículo pode salvar muitos casamentos. É fácil de entender, mas difícil de praticar. Se pudéssemos praticar preveniríamos a maioria dos divórcios. (Filipenses 2.4-5) diz: “Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus”. Preste atenção nas necessidades dos outros. Olhe. Ouça. Descubra em que estão interessados. Você pode descrever quais são os 4 ou 5 principais interesses de cada membro de sua família? Algumas vezes ficamos tão preocupados conosco mesmos e prisioneiros em nosso próprio mundo. A Bíblia recomenda que olhemos os interesses dos outros. A palavra grega é scopos - como telescópio – estar atento para. Se você se preocupa, você fica atento. Tenha consideração pelos outros. “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus”. Este é o segredo real da paciência. Não é natural para você ser paciente com todos. É preciso o poder de Deus em sua vida. Esta semana, seja no trabalho, escola, supermercado, você vai se defrontar com situações de confronto. Deus diz seja paciente com todos. Como você pode ser paciente com todos? Tendo a mesma atitude de Jesus Cristo. Somente com Jesus Cristo em sua vida você pode tratar as pessoas do modo como Ele tratou. Este é o segredo da paciência.
Conclusão:
Este é o poder da paciência! Diga: “Deus, em vez de mudar aquelas pessoas que me irritam, comece trabalhando as minhas atitudes”. Uma vez que Deus lhe alcance, Ele começa a alcançar outras pessoas.
SÉRIE: Construindo Grandes Relacionamentos – 2 de 6 - Adaptado de Rick WarrenCuiabá, 11 de julho de 2004
Pr. Antonio Francisco da Silva

A prática dos dons espirituaisDulce

Consuelo S. L. Purin (Paraná)
Como seria o mundo, se todos gostassem do azul? Seria estranho, se todas as pessoas fossem loiras, ou se todos fossem altos. Na sua sabedoria e perfeição, Deus fez as pessoas diferentes no tipo, na cor da pele, na constituição do corpo e até nos gostos e preferências. Tal diversidade é que dá sabor à vida. Também na igreja, nosso Deus, sábio e perfeito, dá aos seus servos diferentes dons, de acordo com o perfil de cada um segundo cada realidade: "há diferentes tipos de dons espirituais, mas é o mesmo Senhor que servimos. Há diferentes habilidades para o trabalho, mas é o mesmo Deus quem dá a cada um habilidade para fazer o seu trabalho", I Co 12.4-6. O dom que falta em um existe no outro; cada qual sabe fazer coisas diferentes e gosta de diferentes atividades. Só assim o Corpo de Cristo, do qual somos membros, fica equipado para um ministério integral, podendo atender o ser humano na sua totalidade. Escrevendo à igreja em Coríntios, Paulo menciona que "nenhum dom nos falta...", I Coríntios 1.7. Essa realidade é também da igreja nos nossos dias, Deus capacita todas as pessoas, que se completam para realizar a obra. O que nos falta, às vezes, é "despertar o dom", conhecê-lo e desenvolvê-lo. AS MULHERES DA BÍBLIA E OS DONS ESPIRITUAIS. Apesar de viverem em épocas e culturas em que a mulher não tinha valor social, nem mesmo era contada ou registrada a sua presença, constatamos que o Espírito dotou mulheres da Bíblia com dons espirituais que sempre colocaram a serviço de Deus e do próximo. Lucas se refere a Ana, que recebeu o dom da profecia; não se afastava do templo, onde servia a Deus de dia e de noite, como profetisa. Foi lhe dado o privilégio de contemplar o Messias, Lucas 2.36-38. São várias as mulheres que receberam e desenvolveram o dom do ministério. Alguns teólogos identificam o ministério como dons de apoio, porque ministram a outros através de seus serviços. A Sunamita serviu ao homem de Deus, o pofeta Eliseu, dando-lhe hospedagem, 2 Reis 4.9-11; Marta serviu como dona de casa, ativa e zelosa, embora preocupada e ansiosa, Lucas 10.40; Priscila, juntamente com seu esposo, recebeu Paulo em sua casa, oferecendo-lhe trabalho e comunhão espiritual, Atos 18.2,3; Romanos 16.3,4; Febe serviu na igreja, como diaconisa, Romanos 16.1. Lucas 8.1-3 enumera várias mulheres que serviam a Jesus com os seus bens. Oh! Como o mundo está carente de pessoas que tenham alegria e disposição em servir a Jesus através do próximo. A misericórdia é característica das mulheres e se faz acompanhar de outro dom, a generosidade. Como exemplos bíblicos, podemos mencionar Dorcas, que viveu para fazer o bem aos pobres. Dedicou generosamente aquilo que sabia fazer: costurar. Sua morte foi muito chorada, por causa de sua bondade, Atos 9.36-39. Lídia também foi generosa, abrindo sua casa para Paulo e para a pregação do evangelho, Atos 16.13-15. Sem falar na viúva pobre, que colocou como oferta todo o pouco que possuía, Lucas 21.1-4. Débora, Ester, Miriã foram líderes. Algumas mulheres possuíram o dom da liderança, presidência, administração. Débora que, além de ser profetisa, exercia juízo entre o povo com coragem e autoridade comandou a batalha contra Sísera, Juízes 4; Ester enfrentou corajosamente o rei, liderando o salvamento do seu povo, Ester 4.15; 5.8. Miriã, após a vitória da travessia do Mar Vermelho, liderou um pelotão de mulheres para louvar a Deus com cânticos e danças de júbilo, êxodo 15.20,21. Loide e Eunice desenvolveram o dom do ensino. Foram as mestras de Timóteo no ensino das "sagradas letras". A MULHER CONTEMPORÂNEA E OS DONS ESPIRITUAIS. Se as mulheres dos tempos bíblicos receberam e desenvolveram dons, quanto mais nós, que fomos tão elevados por Cristo, a ponto de ocuparmos hoje posições privilegiadas! Com raras exceções, a mulher hoje é acatada, aceita e respeitada. Tem reconhecidos o seu valor e capacidade. É só descobrir e desenvolver seu dom. É bom reforçar a idéia de que todas possuímos dons. Umas podem ter vários, e desempenhá-los simultaneamente. Outras podem descobrir que só possuem um dom, que, se colocado a serviço de Deus e do próximo, será tão útil quanto aqueles. OUTROS DONS. Paulo menciona outros dons espirituais, como a cura, a operação de milagres, falar e interpretar línguas... Eles existem em meio e em nossos dias? Sem dúvida, nos momentos e nos lugares próprios, sempre para a exaltação de Deus e não do homem. Nossos missionários, atuando em lugares distantes e sem recursos da medicina, têm tido e contado experiências reais de curas e milagres. Mas não andam propalando, nem chamando a glória para si, arvorando-se como milagreiros. Todos nós sabemos de pessoas que foram curadas milagrosamente pelo poder da fé. Descobertos os dons, resta-nos colocá-los no altar do serviço, ficando nós à disposição de Deus para que nos use onde bem lhe aprouver. Sempre para a glória de Deus, para fortalecimento e crescimento dos crentes e para a edificação da igreja de Cristo, Efésios 4.12.

A Mansidão

A MANSIDÃOGl 5.22,23“Mas o fruto do espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”. “Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra”.Mateus 5.5 A mansidão trata do meu relacionamento com outras pessoas. Fala da maneira como trato essas pessoas, como elas me vêem e como eu reajo diante delas. Ser manso não significa ser uma pessoa fraca e nem uma pessoa que tem um semblante triste. Ser manso é ser como Jesus. Ele disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29).Mansidão é uma qualidade espiritual produzida na pessoa cuja vida está submissa a atuação do Espírito Santo. O profeta Zacarias escreveu: “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).A mansidão é o ponto de equilíbrio entre dois extremos: de um lado, excessivamente zangado e do outro lado excessivamente bondoso. Paulo escreveu ao jovem pastor Timóteo: “Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim, deve ser brando (manso) para com todos, apto para instruir, paciente, discipulando com mansidão os que se opõem...” (II Tm 2.24-25).A pessoa mansa se destaca na sociedade porque esta qualidade quase nunca é demonstrada. O mundo diz que devemos nos afirmar e defender nossos direitos, mas alguém com esta qualidade não exige a sua própria vontade e nem os seus próprios direitos. A pessoa mansa está disposta a entregar o seu caso a Deus, que julga retamente. Paulo aconselha: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fl 2.3-4).Podemos notar este espírito de mansidão nos grandes homens da Bíblia. Abraão deu a seu sobrinho Ló o direito de escolha, quando ele mesmo poderia ter escolhido as Campinas do Jordão. Isaque não brigou por causa dos poços que lhe foram tomados pelos pastores de Gerar. Davi, mesmo sendo ungido rei de Israel abriu mão de sua posição sendo perseguido por Saul. Moisés agüentou o povo murmurando durante quarenta anos na peregrinação do deserto.Você estaria disposto a submeter sua vontade à obra do Espírito Santo para que Ele desenvolva esta qualidade indispensável em sua vida? O preço será alto em termos de orgulho, poder e possessões, mas vale a pena sermos como Jesus: “Manso e humilde de coração”.Bem Aventurados os Mansos Entre todas as virtudes, parece que Jesus quis destacar duas: mansidão e humildade. Ele fez questão de dizer que devemos tomar o seu jugo e receber a sua doutrina ´porque eu sou manso e humilde de coração´ (Mt 11.29). Na verdade são duas virtudes inseparáveis. Já falamos da humildade, meditemos um pouco sobre a mansidão. Ela está entre as bem-aventuranças: ´Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra´ (Mt 5.4). O Salmista diz que: ´os pobres vão possuir a terra e deitar-se com paz abundante´ (Sl 36.11). O manso possui a paz porque, firme em Deus, nunca se perturba. A humilde mansidão é a virtude das virtudes que Deus tanto nos recomendou. E ensinava uma regra de ouro: ´Quando vedes alguma coisa que se pode fazer com amor, fazei-o; o que não se pode fazer sem discussões, deixai-o´. Ser manso é ser delicado com todos, é ser atencioso, compreensivo, não levantar a voz. Especialmente é preciso ser manso com os pobres, os fracos, os doentes, aqueles que por causa de sua posição de inferioridade na sociedade, são tratados com desprezo e sem atenção. Muitas vezes somos indelicados, grossos, estúpidos, com os outros, porque não nos colocamos no seu lugar. Somos apressados em julgá-los. Mansidão não é sinônimo de fraqueza ou de covardia. Ao contrário, é uma virtude divina. Deus, sendo Todo-poderoso é manso. ´Meu espírito é mais doce do que mel´ (Eclo. 24.27). A mansidão está estreitamente ligada com a fortaleza. Só os fortes em Deus podem exercê-la; o seu princípio consiste em ´vencer o mal pelo bem´, como disse Paulo aos romanos: ´Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens´ (Rom 12.17). E o Apóstolo ensina a deixar a justiça por conta de Deus, e jamais fazê-la com as próprias mãos. ´Não vos vingueis uns dos outros caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: ´A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor´ (Deut 32.35; Rom 12.19)´. Procedendo assim, diz Paulo, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça´ (Prov 25.21); o que significa que o coração duro daquele que é mau, se converte para o bem quando lhe pagamos o bem em troca do mal recebido. O próprio Paulo experimentou isso na sua vida. Ele segurava os mantos daqueles que apedrejavam Estevão, que, recebendo o martírio, como Jesus, orava pelos seus executores. ´Senhor, não lhes leves em conta este pecado ...´ (At 7.60). E Saulo ´que havia aprovado a morte de Estevão´, converteu-se maravilhosamente em seguida, por esses ´carvões em brasa´ que foram amontoados sobre a sua cabeça pela atitude de Estevão. O maior exemplo de mansidão nos foi dado por Jesus. Ele a ensinou e a viveu radicalmente. No Sermão da Montanha ele ensinou: ´Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu porém, vos digo: não resistais ao homem mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra´ (Mt 6,38s). Essa é a verdadeira mansidão cristã, que não aceita o revide, não aceita pagar o mal com o mal. Não se apaga fogo com gasolina; não se aplaca a violência com mais violência. Só com a resposta não violenta pode-se quebrar a cadeia perniciosa da violência. Jesus levou esse ensinamento a fundo, até ao ponto de ensinar: ´Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem´ (Mt 6.43-44). E Jesus acrescenta que essa atitude nos torna ´filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e injustos´ (45). E afirma que assim seremos perfeitos como o Pai celeste (46). Jesus ensina que na mansidão reside a perfeição cristã. Isto é muito importante para quem deseja trilhar o caminho da santidade. O mais bonito de tudo é que Jesus viveu essa mansidão perfeitamente. O profeta Isaias, cinco séculos antes, já havia anunciado a mansidão do Cordeiro de Deus: ´Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca´ (Is 53.7). E o profeta acrescenta que assim: ´O justo, meu Servo, justificará muitos homens e tomará sobre si suas iniqüidade´(11). Foi pela humildade e mansidão que Jesus nos salvou. Ao sofrer toda a sua paixão silenciosamente, ao ser preso como um marginal, flagelado até ao sangue como um malfeitor, zombado como um farsante, coroado de espinhos como um falso rei, condenado à morte como um criminoso, esbofeteado como um blasfemador, escarrado, pregado na cruz, e tudo mais, com a mansidão de um cordeiro, Ele conquistou os méritos infinitos que nos redimiu de todos os nossos pecados. Quando agimos com a mesma humildade e mansidão do Senhor, conformamos a nossa vida com a dele e completamos na nossa carne o que falta à sua paixão (Col 1.24). Aí, então, somos, de fato, seus discípulos. Do alto da cruz Jesus pagava o mal com o bem: ´Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem´ (Lc 23.34). Em conseqüência dessa atitude do Senhor, já ali, aos pés da cruz, o centurião romano que chefiava a sua crucificação se converte: ´Vendo o centurião o que aconteceu, deu glória a Deus e disse: ´Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus! ´ (Mt 27.54; Lc 23.47) Muitos se converteram porque foram perdoados e receberam o bem em troca do mal que praticaram. . Paulo chama de ´amontoar carvões em brasa´ sobre a cabeça daquele que vive mal, e mostra a forma cristã de vencer o mal; pelo bem. Assim, e só assim, quebra-se a corrente da violência e a atira-se ao chão. Para praticarmos essa bela virtude é preciso estarmos convencidos de sua beleza, eficácia e poder, pois o mundo nos ensina o contrário: ´bateu, levou!´ Jesus ensina o oposto: ´bateu, dê-lhe a outra face!´ É certo, como dois mais dois são quatro, que o agressor ficará desconcertado e envergonhado do seu gesto. Senão na hora, depois, quando esfriar o seu sangue. As brasas do amor foram acumuladas sobre a sua cabeça... Estou convencido de que esta é a maior prova para o cristão: ´pagar o mal com o bem, amar o inimigo, orar pelo que te persegue...´. Não é fácil perdoar e orar pela mulher que levou o seu marido; pelo rapaz que assassinou o filho; pelo ladrão que roubou o seu carro; pelo sujeito que te humilhou em público, etc,etc,etc... Não é fácil ! A natureza reage, esperneia, quer vingar-se, quer o revide, quer beber o sangue do outro... Só pela graça de Deus é possível. Quando olho para Jesus crucificado, a lição mais forte que aprendo é essa: ´Eu que sou Deus, morri crucificado, perdoando os meus algozes. Faças o mesmo se queres ser cristão´. Não há mérito maior diante de Deus. Que o Teu preciossíssimo Sangue caia sobre nós Senhor, e nos conceda essa graça. A mansidão deve ser vivida em pensamentos, palavras e atos. No trato com as pessoas é preciso ser cordial, bem humorado, ter o sorriso nos lábios e ser paciente com os defeitos dos outros, principalmente quando esses nos irritam. Se Jesus sofreu tanto, sem perder a calma e a paz, porque não podemos aceitar os pequenos defeitos dos outros? Para os superiores, não há melhor meio de se fazer obedecer do que a mansidão´. É preciso evitarmos o mal hábito que às vezes temos de repreender os outros com aspereza, com raiva e nervosismo, pois isto faz mais mal do que bem a quem queremos corrigir. Muitos pais enganam-se muito neste ponto e corrigem os filhos com agressividade, por palavras e atos. É um mal. Paulo diz aos pais: ´Não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor´ (Ef 6.4). Não exasperar o filho, é não deixá-lo com raiva de nós, pais. É preciso saber corrigir os filhos, com paciência, bondade e mansidão, na hora oportuna e sem humilhar o filho na frente dos outros, principalmente dos seus amigos. Não devemos também corrigir uma pessoa quando ela estiver irritada, pois ela ficaria ainda mais exasperada, ao invés de fazê-la mudar o seu comportamento. Espere a pessoa se acalmar. Jesus foi manso e bondoso com os pecadores: Com a samaritana no poço de Jacó, com Zaqueu, com Madalena, com Pedro após negá-lo três vezes, e até com Judas no horto das Oliveiras. Judas, é com um beijo que me trais? Com um beijo trais o Filho do Homem?´ (Lc 22.48). Para Pedro foi um olhar de bondade: ´O Senhor voltou-se e olhou para Pedro´ (Lc 22.48-61). Esse olhar de bondade de Jesus fez correr as lágrimas de arrependimento dos seus olhos. A afabilidade, o amor e a humildade tem uma força maravilhosa para ganhar os corações dos homens e levá-los a abraçar as coisas mais desagradáveis à natureza humana´. O espírito infernal se serve do rigor de alguns para causar maior dano às almas.. Diz o livro dos Provérbios que: Uma resposta branda aplaca o furor, uma palavra dura excita a cólera (Pr 15.1). É preciso saber calar quando estamos com o sangue fervendo nas veias. Uma coisa é certa: só dizemos coisas erradas quando estamos inflamados pela paixão. Depois ficamos com vergonha de nossas palavras e atitudes destemperadas. Saber calar na hora do aborrecimento e da irritação é grande sabedoria e mansidão. Nunca me deixei conduzir pela ira sem que logo me tenha arrependido. É preciso também ser manso consigo mesmo. Não se irritar com as próprias faltas. Irritar-se contra nós mesmos, após uma falta, não é humildade, mas refinada soberba, como se nós não fossemos fracos e miseráveis criaturas. A humildade que irrita não vem de Deus, mas do demônio. O grande perigo, de zangar-se contra si mesmo após uma falta, está no fato de deixar a alma perturbada e, nesse estado deixa-se a oração, a comunhão e as demais práticas da piedade, ou então as fazemos mal. Uma alma perturbada pouco conhece a Deus e aquilo que deve fazer. Após uma falta é preciso voltar-se com humildade e confiança para Deus, e dizer: ´Senhor, estas são as ervas daninhas do meu jardim´. Os soberbos nunca vos agradaram, mas sempre vos foram aceitas as preces dos mansos e humildes (Jd 9.16). Ninguém e nada rouba a paz de quem tem o coração manso e humilde, e é neste sentido que eles ´possuirão a terra´ (Mt 5.4). Os Cristãos ao invés de odiarem aqueles que os maltratavam, os amavam ainda mais, e oravam por eles, porque sentiam pena deles. As pessoas que falam mal de mim, parece que eu as amo com mais amor. Uma coisa é certa afirmam os Cristãos: só possui a mansidão quem cultiva a humildade, e tem pouco conceito de si mesmo. É preciso, por exemplo, saber receber as correções que os outros nos fazem, com mansidão e sem revolta. É um grande sinal de progresso na perfeição. É muito difícil encontrar alguém que, ao ser corrigido, não fique se desculpando e se defendendo. É um ótimo exercício de humildade e mansidão calar-se ao ser corrigido por alguém, mesmo tendo-se certa razão. O fato de ficarmos ofendidos quando somos criticados é sinal forte de que precisamos dessa crítica. ´Aquele que odeia a correção segue os passos do pecador´ (Cleofas) Colaboração para o Portal EscolaDominical: Pr Walter Pacheco da Silveira
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A Juventude e os dons do Espírito Santo

Colaboração para o Portal Escola Dominical: Caramuru Afonso Francisco
1 – A relevância da juventude na evangelização
A expectativa de vida do brasileiro é de cerca de 72 anos, segundo dados recentes do IBGE, confirmando a melhoria das condições de vida por que passa a nossa população, resultado da melhoria das condições de saneamento básico, de alimentação e de saúde vividos pelo país desde o início de sua industrialização a partir da década de 1930.Ao mesmo tempo em que aumenta a expectativa de vida do brasileiro, diminui o ritmo do seu crescimento populacional, o que faz com que seja cada vez maior a parcela da população de maior idade, não sendo mais o Brasil um país cuja maior parte da população era formada por crianças, como ocorria até a década de 1980.Hoje, o maior contingente populacional do país está na chamada “faixa jovem”, ou seja, daqueles que têm idade entre 12 e 25 anos, os chamados adolescentes e jovens.Diante deste fato, é natural que as atenções da sociedade concentrem-se nesta faixa etária que, além de ser a mais numerosa na atualidade, é, também, aquela que é mais facilmente influenciável, pois, como se diz até mesmo no Estatuto da Criança e do Adolescente, crianças e adolescentes são pessoas em desenvolvimento, de modo que não têm, ainda, formado o seu caráter, o que as torna presa fácil do próximo.Se os homens, com toda a sua imperfeição, têm conhecimento desta circunstância e se lançam à conquista da parcela jovem da sociedade a fim de satisfazer os seus interesses mais diversos (políticos, econômicos, sociais etc.), não pensemos nós que o adversário de nossas almas, que não cansa de se opor, noite e dia, contra a obra do Senhor, esteja agindo de forma distinta.O diabo sabe muito bem desta condição peculiar que gozam crianças e adolescentes e, por isso, tem envidado grandes esforços para afetar a formação do caráter destas pessoas em desenvolvimento, a fim de prejudicar não só a obra de Deus, mas a própria salvação dos homens.A complicar ainda mais o quadro, temos a tradicional negligência que os adultos têm em relação às pessoas em desenvolvimento, algo que está arraigado na própria humanidade e que nos dá conta a própria Bíblia Sagrada, que nos indica que, mesmo entre os discípulos de Cristo, havia uma desconsideração para com as crianças, que eram até impedidas de chegar à presença de Jesus, atitude, por sinal, que não teve a anuência do Senhor.Infelizmente, apesar do exemplo dado pelo Mestre, a Igreja tem mantido uma postura de negligência frente às pessoas em desenvolvimento e o resultado disto é o número crescente de jovens descompromissados com Deus e com a Sua Palavra, a começar dos próprios lares de crentes.A situação mais emblemática parece-nos ser a da Europa, que, durante milênios, foi considerado como o continente tipicamente cristão do planeta. Conforme estatísticas, a juventude européia, na atualidade, está completamente distante dos templos e dos cultos, não sendo sequer cristãos nominais. A Espanha, por exemplo, que sempre foi um exemplo de país católico praticante, tem um índice de 77% de jovens que jamais vão a uma missa, enquanto que, na Inglaterra, que foi berço de grandes avivamentos espirituais, somente 54% dos jovens acreditam em Jesus Cristo.Este quadro desolador mostra quanto a Igreja precisa se preocupar em atingir a camada jovem da população, que, além de ser a mais numerosa em nosso país, terá uma expectativa de vida alta, o que significa afirmar que os valores e crenças que abraçar serão os valores e crenças que serão transmitidos a, pelo menos, duas gerações seguintes, de forma que, se a Igreja não os evangelizar, fatalmente estaremos construindo vários obstáculos para o próprio crescimento do reino de Deus nos próximos 150 anos.
2 – A necessidade de o jovem ser instruído na Palavra de Deus
Como se disse, crianças e adolescentes são pessoas em desenvolvimento, ou seja, ainda não tiveram completamente formados seja o seu organismo biológico, seja a sua personalidade e, portanto, são como a argila nas mãos do oleiro, prontos a adquirir uma forma de acordo com a orientação e as forças que agirem sobre a matéria.Não é por outro motivo que a Palavra de Deus, por intermédio do sábio Salomão, aconselha a que instruamos as crianças no caminho em que devem elas andar, porque, uma vez moldados em seu caráter de acordo com a retidão da são doutrina, mesmo quando envelhecidas, elas jamais se esquecerão destes ensinamentos, agindo conforme à Palavra do Senhor, ainda que, por decisão livre e soberana, pois são dotadas, como qualquer ser humano, de livre-arbítrio, não venham a aceitar a Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador (Pv.22:6).A importância do ensino da Palavra de Deus às pessoas quando ainda estão em desenvolvimento foi ressaltada, também, por Moisés que determinou, em nome do Senhor, que a educação religiosa tivesse por base o próprio lar (Dt.6:6-9) e, indiscutivelmente, foi por terem observado estes mandamentos que o povo de Israel manteve viva a sua fé e a sua cultura apesar de todas as agruras e perseguições que têm caracterizado a sua história ao longo dos séculos.O salmista, também, mostra a grande importância de se ensinar a Palavra de Deus às pessoas em desenvolvimento. No mais longo salmo, cujo tema é a própria Palavra de Deus, o salmo 119 e que, não por coincidência, encontra-se no centro das Escrituras, vemos por duas vezes, a preocupação do salmista em exortar a ensinarem as pessoas em desenvolvimento a sã doutrina. Vejamo-las:
a) Sl.119:9 – Como purificará o mancebo o seu caminho ? Observando-o conforme a Tua palavra. – Vemos aqui que o salmista aponta o caminho pelo qual o jovem pode se manter puro, pode se manter em santidade, em comunhão com Deus: através da observância da Palavra de Deus. Mas como poderá ele observar a Palavra de Deus se nela não for ensinado? Eis um dos principais fatores porque hoje a juventude tem se distanciado tanto do Senhor e tem se enveredado cada vez mais pelo caminho da imoralidade, da violência e dos vícios, inclusive os “filhos de crente”.
b) Sl.119:100 – Sou mais prudente do que os velhos, porque guardo os Teus preceitos – Aqui o salmista mostra que a juventude, nem sempre, significa imaturidade ou incapacidade. Muito pelo contrário, a juventude pode representar uma melhoria, um progresso, uma evolução em relação à geração anterior, desde que tenha sido ensinada a observar a Palavra do Senhor. Por que temos visto o mundo regredir espiritual e moralmente cada vez mais? Porque os jovens não têm sido ensinados a guardar os preceitos do Senhor e, portanto, têm menos prudência, menos sabedoria do que a geração que lhes antecede, o que explica a frieza e insensatez espirituais que têm tomado conta do planeta e que nos levará a um estado em que o homem do pecado será erigido e aclamado como líder mundial. Um jovem ensinado na Palavra do Senhor tem uma vida toda para mostrar maior prudência e sabedoria, trazendo benefício a si, à Igreja e à humanidade, bênção que só tende a crescer a cada geração, já que a expectativa de vida tem aumentado.
3 – O trabalho de orientação à juventude e os dons espirituais
Mas é Salomão, no seu livro derradeiro, o chamado “livro da velhice”, o Eclesiastes, que nos fala, com toda a sua sabedoria e experiência de vida, o que representa a juventude para a vida espiritual.
Sua primeira consideração é no sentido de que o mancebo pobre e sábio é melhor do que o rei velho e insensato, porque o jovem se deixa admoestar, ao contrário do velho (Ec.4:13). Como vimos, o jovem tem a grande vantagem de estar em formação, de poder ser moldado, de poder ser orientado, conduzido pelo caminho da sã doutrina. Seu caráter ainda não está totalmente formado, o que, pelo menos entre os adolescentes, também ocorre com o seu organismo biológico, de modo que se pode canalizar as potencialidades e a própria complementação da formação psicossomática da pessoa da maneira mais adequada à observância da Palavra do Senhor.
É exatamente por causa disso que o diabo tem se esforçado para impor a esta faixa etária um total desvirtuamento, seja no campo biológico, seja no campo psicológico, seja no campo espiritual. A erotização infantil, que ocasiona o desenvolvimento precoce da sexualidade, é um eficaz exemplo de como o adversário tem agido, de forma a causar um completo desequilíbrio na vida da nossa juventude, com conseqüências drásticas para toda a sociedade.
O pseudo-amadurecimento precoce da juventude, também, é uma das armas que mais tendo sido utilizadas pelo adversário para impedir, precisamente, que o jovem seja o mancebo mencionado por Salomão, mas, cedo, se transforme no rei velho e insensato, ainda que seja, ainda, cronologicamente, um “teenager”.
Neste ponto, a cultura que privilegia a “autodeterminação” do jovem, que enfatiza o “seu direito de ir e vir”, a “sua liberdade”, que tem sido propagada aos quatro ventos, é um dos principais fatores que tem dificultado a maleabilidade da personalidade do jovem, tornando-o, desde cedo, um rei velho e insensato. Mais do que ninguém, o diabo sabe que “aquilo que é torto não se pode endireitar” (Ec.1:15a), razão pela qual batalha para criar estas ilusões e fatos consumados que forcem um amadurecimento aparente precoce, que gera uma insubmissão e um comichão nos ouvidos que não permite ao jovem ser admoestado pelos mais velhos.
Neste ponto, aliás, é imperioso que a Igreja desenvolva um procedimento de amor e entendimento no trabalho com os jovens, agindo com extrema sabedoria para quebrar esta “couraça de auto-suficiência” de que estão revestidos os jovens da atualidade, mostrando-lhes que uma das características mais positivas desta idade é, precisamente, a imaturidade, a existência de uma personalidade em formação, a possibilidade do aprendizado. Despertar o sentimento de humildade no jovem é essencial para que possa ser orientado conforme a sã doutrina e isto somente se dará se os encarregados da evangelização e ensino dos jovens forem dotados do mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (Fp.2:5-8).
Aquele que trabalha com a juventude não pode se apresentar como um líder autoritário, dono da verdade, auto-suficiente, “sabichão”, pois, se assim fizer, estará cerrando fileira ao lado dos agentes de Satanás que procuram incutir na mente dos jovens precisamente estas qualidades.
Nosso modelo é Cristo que, quando adolescente, apesar de ter demonstrado toda Sua deidade no templo, era sujeito aos Seus pais (Lc.2:51) e esta submissão foi o motivo pelo qual cresceu espiritual e socialmente (Lc.2:52).
O caminho para o crescimento espiritual da juventude passa pela humildade e pela submissão, pois só assim alcançarão a capacidade de serem admoestados, que é a primeira característica positiva da juventude para o ser humano, que lhes trará prudência e sabedoria.
É por isso que uma Igreja precisa, também para o trabalho com os jovens, dos dons espirituais de profecia e da palavra de sabedoria. Situações há em que a experiência do mais velho, em que a habilidade no trato pessoal com os jovens é totalmente insuficiente. É preciso que, de modo sobrenatural, o Espírito Santo venha a admoestar os jovens, venha a trazer palavras de advertência ou agir de modo a criar circunstâncias, de forma equilibrada, que possa levar o jovem à humildade e submissão.
Ora, estas capacidades sobrenaturais somente advêm à Igreja mediante os dons espirituais de profecia e da palavra de sabedoria, que, portanto, são indispensáveis para um eficaz trabalho com a juventude.
Outra observação que Salomão faz a respeito do mancebo é o fato de ele ser o sucessor dos viventes que com ele andam debaixo do sol (Ec.4:15).
É extremamente importante aos adultos lembrarem de que não são eternos, de que, caso Jesus não os venha buscar no período de sua existência sobre a face da Terra, eles serão substituídos pela geração seguinte, pois “uma geração vai, e outra geração vem, mas a terra para sempre permanece” (Ec.1:4).
Quando os adultos assim consideram, não deixam de fazer companhia aos jovens e lhes dão o devido valor, sabendo que tudo o que fizerem deverá ser passado para esta geração seguinte. Recentemente, ouvimos de um jornalista respeitado uma constatação que muito nos sensibilizou. Dizia ele que sua geração havia fracassado no aspecto político em nosso país, pois, apesar de todos os movimentos ocorridos, de todas as transformações vivenciadas, sua geração não havia se preocupado em formar a geração seguinte, de tal sorte que há, hoje, no Brasil, uma carência preocupante de lideranças políticas mais jovens, a comprometer todo o futuro de nosso país.
Esta constatação devemos ter, também, na Igreja. Deus vela pela Sua Igreja, mas confiou à Igreja a tarefa de formar quadros, de aperfeiçoar os santos, através dos dons ministeriais e espirituais por Ele concedidos. Se Deus dá estes dons é porque espera que os utilizemos, que dele façamos uso. É nossa tarefa a de formar a Igreja que, caso Jesus não venha, prossiga a obra que foi confiada pelo Senhor para que a fizéssemos.
A postura da Igreja, entretanto, tem sido muito semelhante à da geração de Josué que, tendo vivido à sombra de Moisés, após ter tomado em suas mãos o destino do povo de Israel, cumpriu o seu papel, que era o de conquistar a Terra Prometida, mas se omitiu em formar a geração seguinte, que, ao assumir o comando do povo, sem instrução, acabou se perdendo e se desviando dos caminhos do Senhor (Jz.2:7-13).
A geração que atualmente dirige a Igreja do Senhor sobre a face da Terra tem negligenciado no cuidado e na formação dos jovens e é por isso que temos tido o quadro caótico que foi apontado algumas linhas acima. Precisamos, com urgência, voltarmos para a juventude e evitarmos o desvio generalizado da fé, que, fatalmente, sobrevirá sobre o povo de Deus, para não dizermos que já está sobrevindo.
Num estudo a que assistimos, há alguns anos atrás, ficamos estarrecidos com os dados apresentados pelo ministrante que, sendo um profissional de saúde que, inclusive, exerceu importantes funções governamentais nesta área, nos mostrou a correlação entre o aumento de gravidez entre adolescentes na região metropolitana onde trabalhava e a orientação tomada pela mídia, notadamente a mídia televisiva, no sentido da erotização na programação infantil. Hoje, o Brasil tem um índice altíssimo de gravidez na adolescência, fenômeno que não poupou nem mesmo os lares evangélicos, precisamente porque temos transformado a televisão em nossa “babá eletrônica”, temos permitido que a mídia, que, como está demonstrado, está compromissada (às vezes explicitamente) com Satanás, substitua o ensino da Palavra de Deus em nossos lares e molde este caráter em formação da juventude.
É preciso que o adulto acompanhe o mancebo, com ele conviva, que haja diálogo entre pais e filhos, entre jovens e adultos na igreja local, que os adultos participem das atividades e do cotidiano dos jovens, que tenham acesso e conheçam a fundo o que está sendo oferecido aos jovens, para que, então, possamos construir uma plêiade de homens e mulheres de Deus que venha a nos suceder nesta caminhada rumo ao céu.
Faz-se necessário que haja o envolvimento dos adultos com os jovens. Hoje os jovens constituem verdadeiros guetos nas igrejas locais. É o “conjunto jovem”, “o departamento da mocidade”, “a sala da mocidade”, “o culto com a mocidade” e assim por diante, numa discriminação e separação que só serve para distanciar as gerações que existem na igreja local, o que é altamente prejudicial.Salomão afirma que os viventes andavam com o mancebo, ou seja, quem tem vida espiritual deve partilhar da companhia dos jovens, deve se envolver com eles, deve saber-lhes o pensamento, as dúvidas, as aflições, a fim de que possa bem orientá-los.
Para fazer o vaso, o oleiro, conforme nos dá conta o profeta Jeremias, tinha de pôr as mãos na argila, no vaso em formação (Jr.18:4). Os adultos da igreja local precisam tocar os jovens, ou seja, senti-los, participar com eles das atividades. O dirigente da congregação deve fazer, periodicamente, estudos com os jovens e com eles participar de atividades sem a solenidade do estudo bíblico ou de uma reunião formal da igreja, deve assistir aos ensaios e às ministrações dos líderes dos jovens, sem qualquer interferência, deve ser acessível aos jovens para a elucidação de dúvidas, enfim, deve haver a convivência entre adultos e jovens, pois disto depende o próprio futuro temporal da igreja local.
Aqui, também, por vezes, o trabalho com os jovens exige algo mais do que habilidades naturais. É preciso que se demonstre o dom do discernimento de espíritos para que saiba a origem de tudo aquilo que for oferecido aos jovens na sociedade, notadamente pela mídia, ainda mais quando sabido o nível de infiltração de satanismo em todos os setores, inclusive os relativos ao chamado “segmento gospel do mercado” (em especial, no campo da música). Também de grande necessidade é o dom da palavra do conhecimento, que permitirá a revelação de tudo quanto estiver oculto e de tudo o que for necessário para a sólida edificação espiritual da juventude.
Ademais, a companhia do jovem traz um rejuvenescimento aos adultos. A companhia com os mais jovens é altamente salutar, pois não permite o envelhecimento mental da pessoa, nem a sua alienação do mundo em que vive, mormente nos nossos dias em que o desenvolvimento tecnológico crescente causa verdadeiros abismos entre situações cronologicamente próximas. Quando observamos a infância e juventude de hoje e a comparamos com dez, vinte anos atrás, veremos que o mundo se transformou grandemente, a ponto de os adultos, se não mantiverem este contacto com os jovens, ficarem completamente excluídos da nova realidade surgida.
Prova do que estamos a falar é a vivacidade e a atualidade mental que se observa entre os professores, cuja atividade exige o perene contacto com os mais jovens. O professorado é, de longe, a classe dos adultos que se mantém mais atualizada e mentalmente mais jovem, precisamente porque desfruta desta companhia com os jovens. Que sejamos, também, assim com relação aos nossos jovens, o que será extremamente frutífero e agradável ao Senhor.
Uma outra consideração de Salomão aplicável à juventude é a que recomenda que nunca sejamos nostálgicos, ou seja, não tenhamos saudade dos dias passados e vivamos voltados a eles. “Nunca digas: por que foram os dias antigos melhores do que estes? Porque nunca com sabedoria isto perguntarias.” (Ec.7:10).
Embora saibamos que os dias tendem a piorar cada vez mais, em virtude da multiplicação da iniqüidade, não podemos ter uma visão de curto prazo, mas, sim, observar que o desenrolar do processo histórico é feito por Deus e que nos está destinado o gozo eterno, a substituição destes céus e terra por outros onde habita a justiça (II Pe.3:13). Sendo assim, o futuro não é para ser visto com ceticismo, mas como, no mínimo, a proximidade ainda maior da nossa redenção (cfr. Rm.13:11). Deste modo, a geração seguinte à nossa está mais próxima do que a nossa da redenção e, por isso, deve ser ainda melhor preparada para servir a Deus e ser instrumento do Seu amor.
Um dos principais fatores que inibem a convivência entre adultos e jovens é a nostalgia, que leva os adultos a menosprezarem tudo o que é novo, a resistirem a toda e qualquer mudança, a interceptarem toda e qualquer modificação que venha a ser proposta pelos jovens que, por sua vez, têm a tendência de considerar tudo o que existe imprestável e mutável. Conhecida canção da música popular brasileira bem analisa esta questão, ao dizer que os adultos sempre afirmam que, depois de sua geração, nada melhor surgiu, tudo só piorou, enquanto que os jovens insistem que o novo sempre vem.
É interessante notar que o mesmo Salomão que afirma que não há coisa alguma nova debaixo do sol (Ec.1:9,10) é o que adverte que não devemos ser nostálgicos, precisamente porque não se pode achar que o tempo passado é melhor que o presente se persistem as mesmas circunstâncias. Esta presunção de os adultos se acharem superiores aos mais jovens só por terem mais experiência de vida é um sentimento que não podemos ter, pois isto nada mais revela que falta de sabedoria, ou seja, falta de visão espiritual, pois, se bem analisarmos, nada, na verdade, muda, a situação espiritual do homem continua a mesma até que o Senhor venha restaurar o indivíduo e, no final dos tempos, todas as coisas.
A postura de humildade e de reconhecimento da igualdade intrínseca que há entre adultos e jovens é fundamental para que haja uma correta orientação à juventude de acordo com a Palavra do Senhor. Os adultos devem se conduzir neste relacionamento como verdadeiros instrumentos do Senhor, como portadores de um tesouro que deverá ser deixado aos mais jovens, como servidores dos mais jovens, pois não são os filhos que entesouram para os pais, mas, sim, os pais que entesouram para os filhos (II Co.12:14). São os adultos que devem servir e não querer ser servidos, portanto.
A busca dos dons espirituais por parte dos adultos, pois, evidencia-se como uma necessidade uma vez mais nesta nossa meditação. Como portadores de dons teremos condição de bem nos colocarmos diante do Senhor como Seus agentes, como Seus instrumentos e não quereremos surgir como beneficiários dos mais jovens, como donos da verdade, mas, tão somente, como filhos do único dono da verdade, a própria Verdade, o nosso Deus (Jr.10:10a).
Salomão, ainda, adverte o jovem a respeito do seu vigor e da busca de novidades. O sábio afirma que o jovem pode fazer tudo o que desejar, tem força, ânimo e disposição para fazê-lo, mas nunca deve se esquecer de que terá de assumir a responsabilidade por tudo o que fizer (Ec.11:9).
A consciência da responsabilidade é uma das principais, senão a principal, tarefas que está destinada aos ensinadores de jovens e que deve ser incutrida na mente das pessoas em desenvolvimento.
Vivemos um tempo em que o adversário confunde liberdade com libertinagem, liberdade com licenciosidade, liberdade com irreverência. No seu engano e astúcia, o maligno procura mostrar aos jovens os benefícios da vida desregrada, da vida sem limites, a busca pelo prazer e pela satisfação imediata, algo bem apropriado para uma civilização que, cada vez mais, exige velocidade e realização em tempo real.
No entanto, devemos lembrar a juventude de que a verdade é de que o homem é um mordomo de Deus, é um ser moral, dotado de livre-arbítrio, que pode escolher entre o bem e o mal, mas que prestará contas a Deus por tudo o que fizer.
A idéia da responsabilidade como corolário, como contraponto, como o outro lado do exercício da liberdade, é fundamental para que alguém amadureça e tenha uma personalidade sadia, não só diante de Deus, como também diante dos homens.
Neste passo, a conscientização de uma vida espiritual e da imortalidade do homem é fundamental num trabalho evangelístico e de aprimoramento espiritual. A juventude tem de ser confrontada com a realidade de que existe um Deus perante O qual prestaremos conta um dia e que tudo o que fizermos será submetido a julgamento. Não se trata de criar um monstro, um pavor ante a figura de Deus, mas, bem ao contrário, de mostrar que devemos, voluntariamente, nos submeter a este Deus, que é amoroso, bom, misericordioso, mas que também é justo e moralmente perfeito.
A consciência da responsabilidade é um ponto importante para a educação espiritual da juventude e a Igreja deve sempre se aprimorar na transmissão desta verdade aos mais jovens. O envolvimento na obra de Deus, a busca de uma vida de santificação, de crescimento na graça e no conhecimento do Senhor tem como objetivo a conscientização e a vivência desta responsabilidade.
Para tanto, é necessário que os jovens sejam encaminhados para uma vida de oração e de meditação na Palavra do Senhor, que busquem, desde cedo, o batismo com o Espírito Santo e que, uma vez batizados, sejam estimulados e incentivados à busca dos dons espirituais.
Somente uma vida espiritual ativa e um envolvimento dos jovens em todas as atividades da igreja local poderá trazer a ele a consciência da sua responsabilidade diante de Deus e dos homens.
Neste ponto, é importante que a experiência dos mais antigos seja utilizada, não com uma visão nostálgica ou presunçosa, mas como uma demonstração de que esta experiência proporcionará lições importantes para que os mais jovens sejam melhores do que a geração que os antecedeu. O próprio Salomão afirma que devemos nos lembrar de Deus quando ainda somos jovens para que, quando vierem os dias maus, quando já dissermos que não há contentamento em viver, não venhamos a ter o sentimento da oportunidade perdida.
A experiência dos mais antigos tem como fundamento não a exaltação dos adultos, como, infelizmente, muitas vezes se faz, mas, antes, a demonstração prática do que deve e do que não deve ser feito na juventude, uma vez que tudo o que for feito nesta idade terá suas conseqüências na idade adulta. Assim, os erros cometidos por nós, adultos, devem ser os primeiros a ser mostrados aos jovens, para que não venham a cometê-los. Os adultos têm a vantagem de não somente mostrar que os erros não devem ser cometidos, como também comprovar as conseqüências nefastas que eles trouxeram à vida de cada um.
Na nossa adolescência, tivemos um professor de Escola Bíblica Dominical que, vez por outra, mostrava algumas atitudes erradas que tomara na juventude e quais as conseqüências destes erros nos dias em que ele estava nos ministrando e muito aprendemos com esta comparação, a fim de termos vidas espirituais melhores que a de nossos mestres. Aqui, inclusive, repousa o famoso provérbio segundo o qual bom mestre é aquele a quem os discípulos ultrapassam, provérbio este que tem pleno respaldo bíblico, pois foi o próprio Mestre dos mestres quem afirmou que Seus discípulos fariam obras maiores que as dEle (Jo.14:12).
É fundamental que a juventude seja despertada a amar a Deus sobre todas as coisas, a ter em Deus o centro de sua vida, o fim de tudo. Sem esta visão, sem este olhar para Cristo Jesus, o autor e consumador da nossa fé, o jovem, fatalmente, se perderá ante as ilusões e enganos desta vida.
É necessário que a juventude aprenda que o dever de todo o homem é temer a Deus e guardar os Seus mandamentos e que Deus trará a juízo toda a obra, quer seja ela boa, quer seja ela má (Ec.12:13,14).
4 – A juventude : portadora preferencial dos dons espirituais na Igreja
Neste passo, para finalizarmos este estudo, nos cabe observar como deve o jovem ser encaminhado para uma vida de disciplina espiritual.
O tema sugerido para este estudo foi “a juventude e os dons espirituais”, mas, até o momento, apenas estivemos falando do exercício dos dons espirituais por aqueles que trabalham com os jovens, ou seja, com os adultos.
Assim procedemos, talvez um pouco fora do tema pretendido, mas porque sentimos que, lamentavelmente, estamos, na atualidade, aquém de um estágio em que podemos falar sobre um trabalho voltado para o envolvimento da juventude com os dons espirituais e isto ocorre única e exclusivamente porque os adultos não estão envolvidos com os dons espirituais e, portanto, não têm autoridade para, com seu exemplo, incutirem na juventude uma sede por esta busca.
No meio pentecostal, criou-se uma conduta que representou um grande obstáculo para o crescimento espiritual da Igreja, qual seja, o da consideração do batismo com o Espírito Santo como um fim a ser alcançado pelo crente, quando, na verdade, trata-se do primeiro degrau do aperfeiçoamento espiritual do filho de Deus após a regeneração.
Há um esforço grande da comunidade local para que o novo convertido alcance o revestimento de poder, mas, uma vez obtido o batismo com o Espírito Santo, a comunidade dá-se por satisfeita, o crente batizado conforma-se e não há empenho para a busca dos dons espirituais. Por causa disso, os dons espirituais são raros na Igreja nos nossos dias.
Já vimos que o trabalho com os jovens se exercerá com muito maior possibilidade de êxito se os responsáveis por eles o exercerem sendo portadores dos dons espirituais. Nada mais natural, portanto, que a juventude seja, também, envolvida na busca destes dons, pois, em assim fazendo, haverá melhores condições para que se produza o aperfeiçoamento espiritual entre os próprios jovens.
No dia de Pentecostes, Pedro, em seu sermão, fez questão de mostrar o papel que seria primordialmente desempenhado pela juventude na nova dispensação que se iniciava. Ao citar a profecia de Joel, disse que aos filhos e filhas estava destinada, principalmente, a profecia (At.2:17). Com efeito, nos tempos apostólicos, vemos, por exemplo, o registro das filhas do diácono e evangelista Filipe, que eram profetisas (At.21:9), a mostrar que, nos dias dos apóstolos, havia um envolvimento da juventude com os dons espirituais.
Esta promessa, entretanto, não é apenas para os dias apostólicos e deve ser procurada com afinco pela Igreja destes dias derradeiros da dispensação da graça.
Certo é que os dons espirituais, assim como a promessa do revestimento de poder, está à disposição de todos quantos Deus nosso Senhor chamar, mas a profecia de Joel, mencionada por Pedro, mostra-nos que há uma tendência para que a juventude seja a principal destinatária destes dons.
Ao analisarmos esta questão, vemos que temos aqui mais um exemplo de que as coisas feitas por Deus têm o objetivo de confundir a lógica humana e, mais do que isto, de mostrar que o nosso Deus não é Deus de confusão (I Co.14:33).
Quando estudamos a respeito dos dons espirituais na Bíblia Sagrada, vemos que eles têm a nítida função de mostrar, de forma sobrenatural, o poder de Deus sobre a Igreja, a presença do Espírito Santo no meio do Seu povo e, assim, produzir a edificação espiritual dos crentes.
Nada mais natural, portanto, que se esperasse a entrega destes dons a quem fosse mais experiente na fé, que tivesse maior maturidade espiritual, como também psicológica e biológica.Entretanto, ao mesmo tempo, muitos poderiam ficar confundidos com a operação do Espírito Santo, achando que tudo não passaria de produto da imaginação humana ou de projeção de experiências anteriormente vividas pelos mais velhos e maduros.
Para que isto não seja de modo algum um sentimento presente na Igreja, o Senhor fez questão de deixar ressaltado que os filhos e filhas, ou seja, os jovens, aqueles que não têm experiência, vivência ou quaisquer outros atributos, também poderiam ser canais da manifestação do poder de Deus para a consolação, edificação e exortação do Seu povo. Ao ouvirmos um jovem profetizando, trazendo uma mensagem de edificação para a Igreja, teremos a convicção de que as palavras cheias de experiência, vivência e discernimento não provêm da mente de alguma pessoa mais madura, mas imediatamente do Senhor, já que a pessoa que será usada pelo Espírito Santo não tem esta condição materialmente falando.
Além do mais, é sabida a disposição e o ânimo com que os jovens se agarram às coisas em que realmente acreditam. Todos os movimentos políticos e religiosos sempre procuram (e agora mais do que nunca, ante o aumento da população desta faixa etária no planeta) arrebanhar a maior parte de seus adeptos entre os jovens, precisamente porque eles possuem o vigor, a maleabilidade e a disposição para levarem suas crenças até as últimas conseqüências. Na Segunda Grande Guerra, por exemplo, os últimos meses da campanha militar na Alemanha foram meses de tenaz resistência, porque os soldados do Exército alemão, já, então, completamente destroçado, foram substituídos pelos adolescentes da Juventude Hitlerista, que atrasaram sobremaneira as tropas aliadas na conquista final, notadamente de Berlim.
Eis porque o Senhor, que é o Criador do homem, também tem prometido agraciar com especificidade os jovens com os dons espirituais, pois são estes dons o tipo de operação perfeitamente adequado ao perfil psicossomático da juventude, pois se trata de operações que exigem disposição, ânimo e esforço, inclusive físico muitas vezes.
Cabe a nós, adultos, cientes desta promessa peculiar do Senhor à juventude, fazer com que ela tome posse daquilo que lhe está reservado, criando condições favoráveis para que isto seja uma realidade na nossa comunidade local.Mas, para que haja este envolvimento com os dons espirituais, é preciso que, antes, os jovens sejam regenerados, o que se dá não pela hereditariedade, mas pelo arrependimento dos pecados mediante a ação do Espírito Santo, por meio da Palavra de Deus (Rm.10:17), Palavra esta, aliás, que é o alimento espiritual do cristão.Ora, como podemos ter regeneração e alimentação pela Palavra se a juventude, via de regra, em nossas igrejas locais, mal participa dos cultos de ensinamento, quase não freqüenta a Escola Bíblica Dominical e não tem períodos específicos de ensino em suas reuniões, quase sempre tão somente ensaios musicais ?
Faz-se necessário que se retome o ensino da Palavra aos jovens, um ensino que seja voltado para a sua realidade cotidiana, que lhe fortaleça espiritualmente, criando, assim, as condições para que haja um sólido aperfeiçoamento espiritual.
Assim fazendo, certamente teremos jovens cheios do Espírito Santo, que, conscientes do que é servir a Deus, conhecendo quem é Deus, serão jovens que terão o perfil querido pelas Escrituras a eles, portadores de dons espirituais (cfr. At.2:17).
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